quinta-feira, 13 de março de 2008

Nas Aulas Violas (II)


Fotografia de Ayshynek

Primeira parte Aqui




O professor Alberto era casado com uma educadora de infância mais nova do que ele treze anos, uma senhora menina dócil e meiga. Nela via-se bem o verdadeiro gosto pelas crianças. Alberto, o professor, era também conhecido por ter um gosto especial por crianças, e, mentira não era pois gostava até de mais!


Nos dias seguintes fiz por estudar o mais que pude para não cair na boca do lobo durante as aulas, mas o nervosismo entre aquela pressão psicológica disparava e lá era eu caído nas garras do animal sendo obrigado a segurar naquele membro semi-flácido massajando-o até que se formasse hirto. Sobre este assunto nunca fui capaz de o contar a alguém que fosse e esta situação foi-se prolongando. Com o tempo fui-me costumando e ganhando frieza à situação, aprendi a relaxar, controlar e ao fim de dois anos de aulas de piano e tortura já consegui que não mais me enganasse no estudo. Eu tinha agora dez anos, já estava na terceira semana sem lhe tocar e assim continuou durante um mês e meio. Sentia-me por completo aliviado mas com receio que retornasse.


Certo dia, senti-me forte, corajoso e capaz, confrontei-o com a situação dizendo-lhe que não achava bonito o jogo que fazíamos e que o não queria voltar a jogar. Perguntou-me se tinha contado a alguém este nosso, forçado, segredo. A minha resposta foi verdadeira, disse que não mas que se o voltássemos a fazer eu contaria à minha mãe. Nesse momento a sua grande mão disparou soando por toda a sala e embatendo na minha face, nunca antes me tinha agredido. As lágrimas fluíram-me sobre o rosto de tão dolorosas que se assemelhavam a suores frios. Imperou-me que fosse silencioso, pois caso o não fosse seria bem pior para mim. Entre estas palavras agarrou-me na cabeça dizendo:
Agora vais perceber que eu gostava de ti e não merecia o que me fizeste. Vais pagar por isso!

Com as mãos sobre a nuca empurrou-me a cabeça contra o seu pénis mole, ali permaneci imóvel e quando por motivos da natureza me engasgava da violência recebia gentis bofetadas e empurrões para que não fizesse barulho. Num movimento brusco arrancou-me as calças e introduziu aquele deplorável membro em mim ao mesmo tempo que me impedia qualquer gemido.



A dor foi muito forte e não parava de aumentar, na garganta parecia ter um nó de tão apertada a situação em que estava compelido. Não fiz um único gemido, nem sequer me consegui mexer. Na sala só se ouvia a sua respiração ofegante de raiva, as lágrimas caírem-me do rosto sobre as teclas e algumas cordas do interior do piano a soarem com a brutalidade dos movimentos. Quando terminou largou-me sobre o chão mandando-me vestir e ameaçou-me sobre a possibilidade de contar a alguém o que quer que fosse. Levou-me até à recepção da escola, e como sempre, despediu-se de mim com um acenar de mão sobre os meus cabelos dizendo simpaticamente:

A aula foi boa, na quinta-feira quero isso perfeitinho. Estuda muito! Até Quinta!




Texto de Ayshynek

Edição Musical de Ayshynek

Partes em falta III, IV, V e VI

9 comentários:

Lu* disse...

Um texto destes é um grande acto de coragem. Parabens pela força, coragem e sobrevivencia!
Beijinho*

Maria Laura disse...

Texto que nos dá um murro no estômago, de tal terrivelmente cruel. Obrigada pela coragem de abordares esta situação.

Musicologo disse...

O texto está forte. Vai tendo um sentido narrativo muito pessoal e introspectivo, quase nos sentimos na pele do narrador. Dava uma boa história para os "casos reais"...

Frankie disse...

Já por cá tinha passado e lido o outro mas não soube o que dizer.

Depois fiquei sem vir cá uns bons dias -acho que tive medo do que se ia seguir-.
Hoje percebi que tinha razões para isso.

Doeu-me.
Há coisas assim: ferem-nos como um murro no estômago.
E não importa se são ou não realidade para o "narrador" -são reais para muitos e muitos meninos-.
E é isso que dói.

© Piedade Araújo Sol disse...

o texto continua com um fio condutor que e como já te disse em anterior comentário, é um dos digamos "assuntos" que todos sabemos que existem e tudo faz de conta que não existem. como´tb já te disse, custa-me muito comentar textos deste teor, pois deixam-me profundamente triste a sua realidade, no entanto acho que estás a dar uma boa continuação...

parabéns e fica um beij

Lu* disse...

Oh e nao é mesmo uma pergunta tola?? alcool?? loool
ainda bem que te divertis-te com o post :P
beijinho*
espero que tenhas tdio um excelente fim de semana
***

TINTA PERMANENTE disse...

Há, notoriamente, entranhas e força: o necessário para o Futuro!


Abraço!

APO (Bem-Trapilho) disse...

Oi!
Descreveste na perfeição a tortura, o medo, o asco, o terror que vive uma criança numa situação como esta!
Parabéns!
E é como te disseram nalguns comentários, ler este teu texto é como levar um murro no estômago...

Ogi disse...

outch!

Está bom, mto bom. Continua forte, a falar sobre temas que queremos ignorar, e sobretudo, está como é que vou dizer... bem descrito, sim, podemos dizer isso =D

Continua bro*