sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

À Luz do dia na Cidade d'Ouro!

Fotografia de ayshynek





Acabados de atracar após três semanas de viagem estávamos na Cidade d’Ouro, uma ilha em perpendicular à fronteira entre Yemen e Oman. Eu olhando em meu torno havia ficado completamente fascinado. Ela, ela tinha um brilho especial nos olhos ao deslumbrar-se neste local. A cidade era cheia de brilhos e arrebiques do barroco oriental, jardins com espelhos de água, muitas cúpulas, minaretes, madrasas, obeliscos, marcos e palmeiras. Um local de fascínios onde a cor predominante era ouro antigo.


É no ar quente desta viagem que a nossa vida se cruza, eu teria cerca de dezasseis anos e ela teria nada mais que a mesma idade. Havíamo-nos cruzado umas vezes na biblioteca do barco e coincidentemente líamos sobre a mesma coisa, ora sobre música, ora sobre arte. Também por vezes eu via-a no bar, pelo final do jantar, a beber um sumo ou uma água acompanhada pelos pais. Certa noite quando nos encontrávamos na biblioteca sentamo-nos lado a lado a ler uma revista sobre arquitectura da arte moderna. Trocamos umas palavras até que começamos a discutir algumas questões que nos levaram a uma conversa prolongada que durou até de manhã. Desde essa data ficamos conhecidos mas às escondidas dos pais dela que não gostavam da ideia de amigos rapazes. Falamos várias vezes sobre tudo um pouco, sobre nós, sobre namoros e sobre formas de captar a atenção de alguém.


Faltavam dois dias para atracarmos na ilha e era hoje dia de festa, ela fazia anos. Os pais já tinham tratado de tudo com o cozinheiro e com o comandante, fez-se um grande jantar e um bolo enorme para toda tripulação. Quando o bolo chegou toda a gente ficou estupefacta, o bolo era cor-de-rosa e em seu torno dizia “Parabéns Cláudia”. Pela primeira vez eu sabia seu nome, fiquei tempos infinitos a pensar como o nome Cláudia era bonito e encaixava bem naquele corpo esguio. Os meus pais foram convidados para participar da fatia de bolo e eu também mas não fui, esperava um convite mais personalizado. Fiquei um pouco a ver a festa e fui deitar-me.


Na manhã seguinte, por debaixo da porta do meu quarto tinham deixado um pequeno bilhete sem remetente, dizia “Estou agora deitada a ver a estrelas, está a ser muito bom mas seria perfeito se tu estivesses aqui.”. O meu coração disparou e percebi que era verdade, estava a ser correspondido a algo que nunca tinha sentido. Nesse mesmo dia fiz questão de felicita-la e de falarmos sobre este bilhete. Tudo ficou sobre efeito de fantasia entre nós, durante a noite no bar chegamos a cruzar os dedos das mãos e junto ao corrimão do barco chegamos até a tocarmos na perna um do outro. Assim terminamos a ultima noite no barco.

(CONTINUA…)


Texto de Ayshynek

Edição musical de ayshynek

8 comentários:

Outonodesconhecido disse...

“Estou agora deitada a ver a estrelas, está a ser muito bom mas seria perfeito se tu estivesses aqui.”.
Lindo o teu texto. Aguardo o continuar.
Lindo também o teu contributo em era uma vez...
Obrigada

Frankie disse...

Passei aqui por acaso e gostei do que vi...
Parabéns.

Para quem diz que "tenta" escrever, sais-te muito bem -muito melhor do que alguns que dizem que escrevem- ;)

Voltarei.

© Piedade Araújo Sol disse...

jardins com espelhos de água...

gostei de ler-te...vou seguir a continuação.

fica um beij

Maria Laura disse...

Fico aguardando a continuação. O texto promete.

Templo do Giraldo disse...

http://templodogiraldo.blogspot.com/

Passem por aqui e comentem.
SAUDAÇÕES.

De Amor e de Terra disse...

Tal como já disseram outros/as, gostei do que li!
Vim até cá através do Blog "Folhas da Gaveta".
Vou seguir (sempre que puder) a continuação do que escreves.

GOSTEI!
Abraço

Maria Mamede

APO (Bem-Trapilho) disse...

aguardo a continuação!
o meu primeiro amor tb aconteceu quando ambos tínhamos 16 anos! :)
adorei a música!
bjo

© Piedade Araújo Sol disse...

re-passei...