quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

À Luz do dia na Cidade d'Ouro! (Parte II)




Fotografia de ayshynek



Estávamos no Cais d'Ouro, ela com os pais dela, eu com os meus, não nos podemos despedir. A dureza dos pais da Cláudia não deixou que nos aproximasse-mos. Partimos sem saber se nos voltaríamos a encontrar, tudo tinha sido tão intenso que eu não sabia nem o que sentia com toda esta situação.

Apanha-mos um Táxi em direcção ao hotel, nunca tinha visto um assim, era amarelo com duas linhas em preto e por dentro era de madeira trabalhada no tecto e nos alicerces do tejadilho. Chegamos ao hotel e fui conhecer o meu quarto, as paredes eram em azulejo esmaltado com motivos florais em dourado, o chão era como a calçada tradicional portuguesa mas em vermelho e preto e a cama era em talha dourada com cortinas em organza. Descartei as malas e aproveitei para descansar daqueles balanços e contrabalanços do barco. Dormi toda a tarde e noite também. Sonhei com aquele corpo esguio de cabelo loiro, pele branca e olhos esverdeados com azul petróleo.

Na manhã seguinte acordei por volta das nove horas, era cedo mas o sol já raiava com todo o seu vigor. Tomei um duche bem fresco entre aromas de jasmim e takahachi. Desci ao átrio central ao ar livre onde serviam o pequeno-almoço, os meus pais já lá estavam, eu sentei e naturalmente degluti aqueles sabores quentes e afrodisíacos. Aquando terminava de beber o meu refresco de leite de cabra tive uma breve visão de um corpo magro, pequeno de um loiro cintilante, estremeci e na minha mente só ouviu uma voz que me dizia: “É a Cláudia, vai lá!”, nisto apercebi-me do ridículo e sem querer fugiram à mesa as seguintes palavras “Não sejas parvo, há mais dez hotéis aqui na ilha…”, os meus pais olharam-me e eu tentado cara de inocente sorri-lhes.

Durante a tarde fiz-me acompanhar da minha máquina fotográfica para captar alguns momentos, estava entretido e decidi sair do quarto para fotografar os espaços do hotel, fui ao salão dos narguilés, salão de jogos e todos os demais. Decidi então fotografar o adro dos pequenos-almoços, dirigi-me ao trifório e preparei a máquina, num olhar simples vi novamente aquele corpo passear sobre os jardins apalaçados do átrio, rapidamente foquei a máquina e tirei fotografias. Quando vi o LCD não queria acreditar, era Cláudia sem margem para dúvidas e como ela estava só, fui ter com ela.

Quando me viu sorriu mas não mostrou muito espanto, falamos e disse-me já ter visto os meus pais deambular pelos corredores do trifório e tirando fotografias sentados nos contrafortes exteriores. Vagueamos um pouco e numa loja (sala) mais sombria o nosso corpo curvou-se em forma de beijo, lábios tão macios nunca antes tinha sentido. Loucura! Não perdemos tempo em agarrar-nos e apertarmo-nos sentido a intensidade de dois corpos, sob a sua timidez paramos e passeamos até ao meu quarto.

Entramos, sentamos, falamos, sorrimos, beijamos e, e… deitados sobre a cama olhando o sol quente sobre as palmeira introduzidas numa decoração excessivamente floral. Naturalmente os nossos corpos foram se aproximando, sem ser propositado comecei a tocar-lhe sobre a barriga e a brincar com o umbigo. Inocentemente e instintivamente a minha mão escorreu lhe sobre o corpo, sobre as zonas lombares, sobre os braços, sobre o pescoço e sobre os seios delicados. Quando lhe toquei os seios estranhou e olhou me com ar estranho, fiquei envergonhado mas tranquilizou-me passando as mãos pelo meu corpo. Ali fizemos pela primeira vez aquilo que podemos chamar carnalizar o amor, sob a luz do dia na Cidade d’Ouro!

Chegamos atrasados para jantar mas com um sorriso muito estranho sobre os rostos de pessoas completas! Assim se construiu o que ainda hoje dura e já passaram alguns anos. É tão bom sorrir…



Texto de Ayshynek
Música e letra original de Tiago Videira
Voz de ayshynek

9 comentários:

Frankie disse...

Desde que passei por este cantinho pela primeira vez que tenho voltado cá à espera da segunda parte da história.

Mais uma vez gostei do que li.

Como gostei de saber que esse sorriso se mantém.

E é tão bom sorrir, não é?

Deixo-te um beijo...e um sorriso :)

Maria Laura disse...

É bom sorrir, sim. É bom viver uma história de amor. Contas muito bem essa sensação de euforia.

APO (Bem-Trapilho) disse...

uma bela descrição! quase me senti com 16 anos novamente e a amar pela primeira vez.
E mais uma vez a música ilustrou na perfeição.
tenho um link lá no bom feeling para o myspace (música electrónica) de um amigo meu. se puderes dá uma espreitadela e a tua opinão.
bjo

Pilas & Companhia (e Alfredo!) disse...

eu nao li este! li o outro!
mas prometo k leio este tb! =DD
Só pra dizer k tens mais um espaço parvónico para visitar =D*

ContorNUS disse...

descobri um pouco de ti hoje...aqui

voltarei ;)

© Piedade Araújo Sol disse...

ando a seguir o enredo...

Germano V. Xavier disse...

Olá!

Passei por aqui...
Gostei do blog!!!

Abraços pernambucanbaianos...

Germano
www.clubedecarteado.blogspot.com

Outonodesconhecido disse...

Sim é muito bom sorrir.
Boa noite

APO (Bem-Trapilho) disse...

obrigada por dares a tua opinião sobre a música do Carlos. Vou passar a mensagem! :)
bjo