terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Linguagem Humana - 002

Fotografia de goht



- Estou? Sim? Olha podes explicar-me toda esta situação? Já passou um mês e não tive um contacto teu que fosse! Podes explicar-me o porquê de manteres o telemóvel desligado?

-Desculpa... Eu amo-te!

A chamada caiu, fora a primeira vez que Sofia tinha conseguido contactar com Rui após a criança ter nascido. Sofia ficou desesperada com o telemóvel na mão, não sabia se havia de sentir raiva ou ódio ou um outro qualquer sentimento e como acto de loucura lançou o telemóvel pela janela que por sorte ou azar fora cair certeiramente na cabeça do jardineiro que espontaneamente lançou uns palavrões. Abraçou o pequeno Diogo que ainda não conhecera os braços do pai e as lágrimas escorreram-lhe sobre o rosto. Depois pousou Diogo e num acto inconsciente de revolta soltou um grito desesperado. Entretanto, a porta do quarto abre-se:

-Então menina? Que se passa? Dói-lhe algo? Quer um cházinho? Olhe que eu sei uns muito bons que a minha bisavó fazia, são bons para tudo!

-Não Alberta... Liguei-lhe e atendeu-m...

-Quem quem, o menino? Está no hospital? Aconteceu-lhe algo? Eu tenho um primo que é muito bom médico se precisar! - interrompeu Alberta.

-Não sei Alberta, não sei... Senta-te aqui e eu conto-te! - disse Sofia com um ar enternecido.

Sofia contara calmamente tudo à sua confidente que, chocada, acariciou-a com palavras ternas de conforto. Sofia, durante a semana seguinte, quase não se alimentara, tinha a mente perturbada pelo seu passado presente. Diogo, durante o dia, ficara ao encargo da governanta visto que a menina não tinha capacidade psicológica para tomar conta do pequeno filho.
Certa noite, quando já toda a gente dormia, e Sofia, tal como todas as noites desde que Rui 'desaparecera' não conseguia dormir, desceu para beber água. Na cozinha enquanto bebia sentiu a presença de alguém, ouviu barulhos estranhos como se estivessem a bater brutalmente num individuo. Tremendo como varas verdes correra silenciosamente para o quarto e subindo as escadas deixara cair o copo que se estilhaçou no chão. Nesse mesmo momento o barulho parou, Sofia continuou a sua caminhada rápida para o quarto e fechou-se nele com o bebé, verificou se ele dormia e aconchegou-o nos braços.

Desde aquela noite que Sofia nunca mais fora a mesma. O seu corpo agora era magro e frágil, os seus cabelos loiros e brilhantes estavam espigados e emaranhados, os seus olhos esbugalhados e negros de olheiras e o rosto cadavérico, mas o cansaço fizera-a dormir. Durante duas noites dormira profundamente e esta seria a terceira caso não acordasse sobressaltada com o barulho da fechadura do quarto. Abruptamente levantou-se e olhou em seu torno e seu corpo imobilizara. Diogo não estava no berço onde ela o teria deixado, as lágrimas correram e em fracções de segundos levantou-se e encontrou a casa deserta. Desesperadamente procurou por toda a casa, em todos os quartos, salinhas e salões, Diogo não estava nem se ouvira nenhum som que indicasse a sua presença. Sofia enlouqueceu e saiu para os jardins da casa.

No dia seguinte, quando o sol raiou, os funcionários da casa tomaram o pequeno almoço calmamente. Como sempre o jardineiro e a menina eram os últimos a acordar e nesse dia o jardineiro dormiu mais duas horas que o costume, mas ninguém se preocupou, era o preguiçoso de sempre com a desculpa que tinha um trabalho pesado. Já toda a gente trabalhava quando desceu e tomou o pequeno almoço. Alberta preparava o lanche matinal da menina quando Manuel, o jardineiro da casa, se preparava para ir trabalhar. Sorridentemente, Rui, entrou pela cozinha muito bem vestido deixando Manuel e Alberta hirtos de espanto, trazia consigo um ramo com dezanove rosas vermelhas ornamentadas em verdes dos ramos de flores comuns e perguntou:

-Onde está a Sofia? E o meu pequenino? Quero vê-los!

-Estão no quarto menino, o Dioguinho dorme muito e está gordinho vai gostar de vê-lo e a menina não está muito bem e tem andado a dormir mais. Então e o menino está bem? Que lhe aconteceu? - falou curiosamente Alberta.

-Vou vê-los! - disse inopinadamente Rui.


Texto de ayshynek

Um comentário:

Ogi disse...

'inopinadamente'?
Olha passou-se!
Já estou como o loiro, pra quem não gostava de ler e escrever, não tás-te a sair nada mal ouve lá ^^,

Tou a curtir a história, continua ^.^