quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Actor et reus idem esse nonn possunt

Pois é, às vezes espero, outras desespero mas a vida não para e eu tenho que a acompanhar. Hoje cansado de mil e uma vozes, solitário numa extensão imensa de pessoas, desenhava traços gesticulados de almas perdidas no tempo que é só meu. Enquanto isso, olhava em meu torno à procura da face divina, tentei juntar todas as caras que consegui decorar na minha mente. Para isso esforcei me para focar os olhares, os narizes, as orelhas, a boca, os lábios, as barbas, os pelos e os cabelos, tempo perdido! Encontrei sim um meandro de traços na minha mente que me não diziam nada. -------- Fotografia de Ayshynek --------
Decidi pensar em mim e encontrei-me. Estava só no meio de muita gente como se de um círculo de ciências ocultas se trata-se, à minha volta pessoas diziam palavras estranhas em coro, eu não percebia o que eles diziam. Uma voz suou e eu compreendi-a, não sei de onde vinha, mas acusava-me das coisas certas que eu fazia, julgou-me pelo amor ao próximo e todos os seus derivados. Tentei resistir àquelas palavras malditas que atordoavam meu pensar e consegui largar-me das pesadas correntes verbais que me prendiam, e, acusei! Acusei pela minha vingança, pela minha ira, raiva, ódio, inveja e gula, no fim de toda esta expulsão interior, a alma faleceu do meu corpo e ele caiu como placa de vidro estilhaçada no chão.
Entretanto, o meu consciente acordou e vi que afinal era somente eu nas minhas viagens ao interior de um imaginário flexível e indolor. Não mais pensei nisso e continuei olhando pela janela para observar como é bonito olhar o ruído de um motor.




Texto de Ayshynek

2 comentários:

Rui Caetano disse...

A espera ou o desespero enchem-nos os dias inquietos. Fazem parte da nossa vida e devemos aprender a viver com eles.

Anônimo disse...

estranho